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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Curso Básico de Espiritismo - Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal - 10.º CADERNO — DAS ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES





SUMÁRIO

1. PENAS E GOZOS TERRENOS

1.1. Felicidade e infelicidade relativas


O homem terreno pode gozar apenas de uma felicidade incompleta, pois a vida proporciona-lhe sobretudo provas ou expiações. Porém, depende dele abrandar os seus males e ser tão feliz quanto é possível na Terra.
Na maioria das vezes o homem é o artífice da sua própria infelicidade, pois se praticasse a lei de Deus livrar-se-ia de muitos males.
A felicidade terrena é relativa à posição de cada pessoa. Porém, podemos dizer que a medida comum da felicidade para os homens está na seguinte fórmula: para a vida material é a posse do necessário e, para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.
Os males que ferem o homem mais justo e que independem da sua maneira de agir devem ser encarados com resignação, pois isso representa uma prova que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem e sem queixas.
Aos olhos dos que enxergam apenas o presente, certas pessoas parecem favorecidas pela fortuna sem a merecerem. Porém, a fortuna é uma prova mais perigosa do que a miséria.
Quando ao homem falta o necessário à vida e à saúde do corpo, não por culpa sua, mas ocasionada por outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa.
No afastarem-se os homens de sua esfera intelectual e profissional propícia às suas inclinações e aptidões reside a causa de muitas decepções e desajustamentos. Depois, o amor-próprio impede, muitas vezes, que a pessoa recorra a uma profissão mais modesta, porém, mais adequada à sua vocação.
Com uma organização social mais justa e previdente ao homem, só por culpa sua poderia faltar o necessário. As suas faltas, todavia, frequentemente são resultado do meio em que se acha colocado. As classes sofredoras são mais numerosas na Terra por ser esta um planeta de expiação e provas. Porém, as classes chamadas felizes, na verdade, trazem ocultas aflições, concluindo-se que nenhuma é verdadeiramente feliz.
No mundo, muito amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons, por fraqueza destes. "Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão."

1.2. Perda dos entes queridos

A perda dos entes queridos constitui para o homem uma legítima causa de dor, que atinge indistintamente ricos e pobres, e representa uma prova ou expiação. Todavia, temos por vezes a consolação de podermos comunicar com eles através de médiuns, enquanto não dispusermos de meios mais directos e acessíveis aos nossos sentidos.
Os espíritos são sensíveis à lembrança e à saudade dos que lhes foram caros na Terra. As dores inconsoláveis e desarrazoadas atingem-nos penosamente, pois denotam falta de fé no futuro e de confiança em Deus, pois isto é um obstáculo ao adiantamento dos que os choram e também à sua reunião com estes. Normalmente o espírito é mais feliz no espaço que na Terra e lamentar que ele tenha deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz.

1.3. Decepções, ingratidão, afeições destruídas

Para o homem de coração, as decepções originadas da ingratidão e da fragilidade dos laços de amizade são também uma fonte de amargura. Devemos, porém, lastimar os ingratos porque são infelizes. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará com corações insensíveis, como o seu próprio o foi.
O bem deve ser praticado sem exigências; a ingratidão é uma prova à nossa perseverança no exercício do bem. O ingrato será punido na proporção exacta do seu egoísmo.
A natureza deu ao homem a necessidade de amar e ser amado. É um grande gozo na Terra o homem encontrar corações afins. É a primícia da felicidade que o aguarda no mundo dos espíritos perfeitos, onde dominam o amor e a benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.

1.4. Uniões antipáticas

Os espíritos simpáticos buscam-se reciprocamente e procuram unir-se. Todavia, é muito frequente entre os encarnados na Terra existir a afeição só de um lado e o amor sincero se veja colhido com indiferença e até com repulsão.
Estas ocorrências, à luz das leis morais, constituem uma punição passageira. Além disso, muitos acreditam amar perdidamente porque julgavam pelas aparências e quando obrigados a viver com as pessoas amadas, passam a reconhecer que experimentaram apenas um encantamento.
Há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma. Com frequência as pessoas enganam-se e tomam uma pela outra.
A afeição da alma, quando pura e simpática, é duradoura; a do corpo é efémera. Daí vem que, muitas vezes, os que julgam amar-se com eterno amor passem a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.
A falta de simpatia entre seres destinados a viverem juntos constitui fonte de amargos dissabores, que envenenam toda a existência, e é essa uma das infelicidades de que os seres humanos quase sempre são a causa principal. Deus não constrange ninguém a permanecer junto dos que o desagradam.

1.5. Temor da morte

Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade. Porém, falta-lhes fundamento para semelhante temor. Isto provém da sua infância, quando procuraram persuadi-las de que há um inferno e um paraíso, e que mais certo é irem para o inferno, visto que também lhes disseram que o que existe na natureza constitui pecado mortal para a alma. Tornadas adultas, não podem admitir tal coisa e tornam-se materialistas, levadas a crer que além da vida presente nada mais há.
Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com fé, tem ele a certeza do futuro.
O homem carnal, preso à vida corpórea, centraliza a sua felicidade na satisfação fugaz de todos os seus desejos e, por isso, constantemente se angustia face às vicissitudes da vida. A morte o assusta; ele duvida do futuro porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças.
O homem moral, coloca-se acima das necessidades artificiais criadas pelas paixões, e já neste mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação dos desejos dá-lhe calma e serenidade; ditoso pelo bem que faz, as decepções e contrariedades não deixam impressão dolorosa na sua alma.

1.6. Desgosto da vida, suicídio

O desgosto da vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos, nasce da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
Para aquele que usa as suas faculdades com um fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida escoa-se mais rapidamente.
O homem não tem o direito de dispor da sua vida; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário constitui uma transgressão dessa lei. Nem sempre é voluntário o suicídio; o louco que se mata não sabe o que faz.
O suicídio decorrente do desgosto da vida é uma insensatez. O trabalho torna a existência menos pesada.
Os que se suicidam para fugirem às decepções deste mundo são "pobres espíritos" que não têm a coragem de suportar as vicissitudes da existência. Deus ajuda os que sofrem e não os que carecem de energia e de coragem.
Os que possam ter conduzido um infeliz ao desesperado acto do suicídio sofrerão as consequências de tal proceder; responderão como por um assassínio.
É considerado suicida aquele que, a braços com a maior penúria, se deixa morrer de fome. Porém, os que lhe foram causa, ou que teriam podido impedi-lo, são mais culpados do que ele, a quem a indulgência espera. Não pensemos, todavia, que seja totalmente absolvido, se lhe faltaram a firmeza, a perseverança e não usou toda a sua inteligência para sair do atoleiro. Ai dele, sobretudo, se o seu desespero nasce do orgulho.
O suicida que procura esse meio para escapar à vergonha de uma acção má é tão culpado como aquele causado pelo desespero. Isto porque o suicídio não apaga a falta; em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as consequências.
Outra loucura é o caso do que se mata para chegar mais depressa a uma vida melhor, pois retarda essa chegada e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida, a que pôs termo sob domínio de uma ideia falsa.
O homem que perece vítima de paixões, consciente de que elas apressariam o seu fim, sem conseguir resistir-lhes, por tê-las tornado vício das necessidades físicas, comete um suicídio moral. É duplamente culpado, pois há nele falta de coragem e bestialidade, agravadas do esquecimento de Deus.
É também culpado perante a lei divina aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. Outrossim, mesmo no caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada por alguns instantes, é sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do criador, que a tudo confere um fim útil.
Aqueles que não podem conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras e que se matam na esperança de juntar-se a elas, muito diverso do que esperam é o resultado que colhem. Sofrerão aflições maiores do que as que pensaram abreviar e não terão a satisfação que esperavam.
Quanto ao estado do espírito, as consequências do suicídio são muito diversas. Não há penas determinadas e correspondem sempre às causas que o produziram. Uma consequência a que o suicida não pode escapar é ao desapontamento. Conforme as circunstâncias, alguns suicidas expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.
Os efeitos do suicídio não são idênticos. Há alguns, porém, que são comuns a todos os casos de morte violenta, consequentes da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência prolongada e tenaz do laço que une o espírito ao corpo, devido a este laço estar na plenitude da sua força no momento em que se tenta parti-lo. Como decorrência desse brusco rompimento, advém o prolongamento da perturbação espiritual, seguindo-se a ilusão que o espírito conserva, por mais ou menos tempo, de que ainda pertence ao número dos vivos.
A afinidade que permanece entre o espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo no espírito, que, assim, a contragosto, sente os efeitos da decomposição, com uma sensação cheia de angústia e de horror, estado este que pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

2. PENAS E GOZOS FUTUROS

2.1. O nada, a vida futura

O homem tem instintivamente horror ao nada porque o nada não existe. Igualmente o homem possui o sentimento instintivo da vida futura, pois antes de encarnar o espírito conhecia todas essas coisas e a alma conserva vaga lembrança disso.
A ideia do nada repugna à razão. O homem, por mais despreocupado que seja durante a vida, chegado o momento supremo, pergunta a si mesmo o que vai ser dele e, sem o querer, guarda esperança.
Crer em Deus, sem admitir a vida futura, seria um contra-senso. A vida futura implica a conservação da nossa individualidade, após a morte.

2.2. Intuição das penas e gozos futuros

A crença com que deparamos entre todos os povos, na existência de penas e recompensas, origina-se do pressentimento da realidade, trazido ao homem pelo espírito que ele próprio é.
Os sentimentos que dominam os homens no momento da morte são: a dúvida, nos cépticos e empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem.
A responsabilidade dos nossos actos é a consequência da realidade da vida futura. A razão e a justiça nos dizem que, na partilha da felicidade a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus. Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança. O sentimento inato que temos da justiça dá-nos a intuição das penas e recompensas.

2.3. Intervenção de Deus nas penas e recompensas

Deus ocupa-se, pessoalmente, com cada homem? Não é ele muito grande e nós muito pequeninos para que cada indivíduo em particular tenha, a seus olhos, alguma importância?
Deus ocupa-se com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor.
Deus tem as suas leis a regerem todas as nossas acções. Se as violamos, nossa é a culpa. Quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento. Ele traçou um limite; as enfermidades, e muitas vezes a morte, são a consequência dos excessos. Eis aí a punição: é o resultado da infracção da lei.
Deus ainda nos previne e nos adverte sempre, através da inspiração dos bons espíritos, e ainda faculta ao homem recursos para reparar os seus erros concedendo-lhe novas existências.

2.4. Natureza das penas e gozos futuros

As penas e gozos da alma após a morte não são materiais, pois a alma não é matéria. Nada têm de carnal; entretanto, são mil vezes mais vivos do que os que experimentamos na Terra. O espírito liberto tem percepções muito maiores, pois a matéria não lhe reduz as sensações.
A ideia grosseira e absurda que o homem faz das penas e gozos da vida futura provém da falta de suficiente desenvolvimento da inteligência. Depende também do que lhe foi ensinado e aí há necessidade de uma reforma.
A felicidade dos bons espíritos consiste em conhecerem todas as coisas; em não sentirem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasionam a desgraça dos homens. O amor que os une é-lhes fonte de suprema felicidade. Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes pelo bem que fazem. Contudo, a felicidade dos espíritos é proporcional à elevação de cada um. Entre os maus e os perfeitos há uma infinidade de graus em que os gozos são relativos ao estado moral.
Os sofrimentos dos espíritos inferiores são tão variados como as causas que os determinaram e proporcionais ao grau de inferioridade, como os gozos o são ao de superioridade. Podem resumir-se assim: invejarem o que lhes falta para serem felizes e não obterem; verem a felicidade e não a poderem alcançar; pesar, ciúme, raiva, desespero, motivados pelo que os impede de ser ditosos; remorsos, ansiedade moral indefinível. Desejam todos os gozos e não os podem satisfazer: eis o que os tortura.

2.5. Penas temporais

É verdade que a alma quando está reencarnada, as tribulações da vida fazem-na sofrer; porém, só o corpo sofre materialmente.
Falando de alguém que morreu, costumamos dizer que deixou de sofrer. Nem sempre isso exprime a realidade. Como espírito, está isento de dores físicas; mas tais sejam as faltas que tenha cometido, pode estar sujeito a dores morais mais agudas e pode vir a ser ainda mais desgraçado em nova existência. Todas as penas e tribulações da vida são expiação das faltas de outra existência, quando não a consequência das da vida actual.
É verdade que a alma quando está reencarnada, as tribulações da vida são para ela um sofrimento; porém, só o corpo sofre materialmente.
Falando de alguém que morreu, costumamos dizer que deixou de sofrer. Nem sempre isto exprime a realidade. Como espírito, está isento de dores físicas; mas tais sejam as faltas que tenha cometido, pode estar sujeito a dores morais mais agudas e pode vir a ser ainda mais desgraçado em nova existência. Todas as penas e tribulações da vida são expiação das faltas de outra existência, quando não a consequência das da vida actual.
À medida que se vão depurando, os espíritos passam a encarnar em mundos cada vez mais perfeitos, até que se tenham despojado totalmente da matéria e lavado de todas as impurezas. Nos mundos onde a existência é menos material do que neste, menos grosseiras são as necessidades e menos agudos os sofrimentos físicos.

2.6. Expiação e arrependimento

O arrependimento dá-se no estado espiritual, mas também pode ocorrer no estado corporal, quando a pessoa bem compreende a diferença entre o bem e o mal.
Como consequência do arrependimento no estado espiritual, o arrependido deseja uma nova encarnação para se purificar. O espírito acaba por compreender as imperfeições que o privam de ser feliz e, por isso, aspira a uma nova existência em que possa expiar as suas faltas.
O arrependimento no estado corporal faz com que, já na vida actual, o espírito progrida, se tiver tempo de reparar as suas faltas.
Homens que só têm o instinto do mal e parecem inacessíveis ao arrependimento, através das reencarnações, adquirirão o instinto do bem, pois é preciso que todos progridam e atinjam a meta. Uns gastam mais tempo do que outros, porque assim o querem.
O homem perverso, que não reconheceu as suas faltas durante a vida, sempre as reconhece depois da morte e, então, mais sofre, porque sente em si todo mal que praticou. Nem sempre o arrependimento é imediato. Há espíritos obstinados no mau caminho, mas cedo ou tarde ele virá. Deve-se entender que o espírito não se transforma subitamente, após a morte do corpo e conforme o género de vida que teve, poderá persistir em seus erros, nas suas falsas opiniões, nos seus preconceitos, até que se tenha esclarecido pelo estudo, pela reflexão e pelo sofrimento.
A expiação cumpre-se durante a existência corporal, mediante as provas a que o espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferioridade do espírito.

2.7. Duração das penas futuras

A duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura, não é arbitrária, pois Deus nunca obra caprichosamente e tudo, no universo, se rege por leis, em que a sua sabedoria e a sua bondade se revelam.
Assim, a duração dos sofrimentos do culpado baseia-se no tempo necessário para que melhore. À medida que progride e que os sentimentos se lhe depuram, os seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.
Para o espírito sofredor o tempo se afigura mais longo do que quando estava encarnado. Só para os espíritos que já chegaram a certo grau de purificação, o tempo, por assim dizer, se apaga diante do infinito.
Os sofrimentos do espírito não podem ser eternos, pois ele não poderá ser eternamente mau e jamais se arrepender. Deus não criou seres tendo por destino permanecerem perpetuamente votados ao mal; apenas criou a todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto, que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade de cada um.
A lei sábia e magnânima subordina a duração das penas aos esforços do espírito. Jamais o priva do seu livre-arbítrio: se deste faz ele mau uso, sofre as consequências. Aí está toda a sublimidade da justiça unida à bondade, e aí também se encontra a verdade desta sentença: "A cada um segundo as suas obras."
A ideia da eternidade das penas é blasfémia sobre a justiça e da bondade da Deus, germe fecundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as criaturas humanas e, por isso, deve ser combatida.

2.5. Paraíso, inferno e purgatório

As penas e gozos são inerentes ao grau de perfeição dos espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio da sua felicidade ou da sua desgraça. E como eles estão por toda a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa.
O inferno e o paraíso nada mais são do que simples alegoria. Por toda parte há espíritos ditosos e inditosos. Os espíritos de uma mesma ordem podem-se reunir por simpatia, mas podem fazê-lo onde queiram, quando são perfeitos. A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não compreende.
Entende-se por purgatório as dores físicas e morais; o tempo de expiação. É também uma alegoria, não é um lugar determinado; significa o estado dos espíritos imperfeitos que se acham em expiação até atingirem alguma purificação. Esta purificação, operando-se através das diversas reencarnações, o purgatório consistiria quando muito nas provas da vida corporal.
A palavra céu tem o sentido de espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os espíritos usam plenamente as suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias próprias da inferioridade.

ANOTAÇÕES E INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

  • (1) KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos, 4ª. Parte. caps. I e II ; 33ª. Edição, 1974, da Federação Espírita Brasileira.
  • (2) KARDEC, Allan, O Céu e o Inferno, 1ª Parte, caps. I e VII, 19.ª Edição, 1963, da Federação Espírita Brasileira.
  • (3) KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, caps. III e IV, 51ª Edição, da Federação Espírita Brasileira.
(*) Toda esta sessão de estudo baseia-se na 4.ª Parte, capítulos I e II, de "O Livro dos Espíritos", tendo as citações sido colocadas entre aspas " ", correspondem fielmente ao texto da 33.ª Edição da Federação Espírita Brasileira.

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