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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Maioridade penal – reduzir a idade para que? Por Yolanda Polimeni




Muito se tem discutido acerca da redução da idade para a maioridade penal. A pergunta que se impõe em minhas especulações, é para que? Reduzir a violência? Reduzir a impunidade?

Não sejamos tolos. Os cárceres estão superlotados dando margem a constantes motins dos quais resultam mortes, ferimentos graves, delinqüentes perigosos foragidos. A violência não é reduzida.

Nada diferente ocorre nas FEBEN’s, entidades que visam recolher os menores infratores, com o objetivo primordial de recuperá-los, reconduzindo-os saudáveis e adaptados à convivência social, porém servem para aperfeiçoá-los na criminalidade.

Reduzir a idade significa aumentar o número dos destinados aos presídios que já não comportam os que para eles são encaminhados ou deveriam ser. Então o que caberia ao Governo? Construir novos presídios? Seria uma alternativa, a meu ver ruim. Ruim porque o dinheiro para isso seria aquele destinado à saúde pública que está caótica, à educação que é de péssima qualidade, dentre outros serviços essenciais à população.

Ruim também porque não acabaria com a impunidade. A impunidade que a sociedade reclama e que deve ser combatida não é a da violência que nasce da miséria das favelas, mas aquela que está nas entranhas dos Poderes Constituídos. Os crimes de lesa-sociedade, aqueles desvios de verbas públicas para o benefício de pessoas ou grupo de pessoas que nunca foram apurados nem punidos.

Quantos escândalos podemos citar? Desvios de dinheiro da Previdência Social, da SUDAN, os “anões do orçamento”, o “cuecão” dentre muitos outros praticados pelos comedores de pizzas e que envergonham o povo brasileiro.

Será que reduzindo a idade da responsabilidade penal os jovens de classe média alta que se divertiram queimando índio em Brasília ou mendigos em São Paulo iriam para o xadrez? Foram para a FEBEN?

Não vou dizer se sou contra ou se sou a favor da redução da idade para a maioridade penal. Quero propor que antes de se discutir esse tema, se discuta políticas sociais sérias e efetivas para oferecer às camadas mais pobres da sociedade uma escola onde crianças e jovens passem o dia inteiro, recebendo alimentação, ensino de qualidade, incluindo-se na grade curricular esportes e artes – não teríamos crianças nas ruas, nos sinais empunhando canivetes ou cacos de vidro; que se equipem os hospitais públicos com instrumentos capazes de atender bem a população, exigindo-se do corpo de funcionários, de atendentes a médicos, compromisso com o trabalho e com o ser humano a ser atendido – não haveria os revoltados que danificam o patrimônio público como forma de externar sua indignação; política de combate à seca através da irrigação – Israel nos oferece exemplo extraordinário; e combate ao tráfico de drogas por meio do esclarecimento e conscientização acerca dos prejuízos que provocam, através de programas específicos em rádio, televisão, jornais, revistas, enfim todos os meios de comunicação; que se descubra por que os detentos conseguem controlar o tráfico de dentro das prisões? Onde está o erro? Em que ponto do Poder Estatal estão se apoiando para obter certas facilidades? Vamos discutir essa impunidade, essa injustiça social agora.

Depois discutiremos sobre a redução da idade para a maioridade penal.
 

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terça-feira, 24 de maio de 2011

Satanás – ser ou não ser, eis a questão por Paulo da Silva Neto Sobrinho



O fato de deturparem a verdade não significa que ela tenha deixado de ser verdadeira. Apenas significa
que conseguiram esconder a verdade de si mesmos. (Paul Ferrini).


Tentaremos fazer uma pesquisa sobre esse tema, para ver se realmente tal ser existe ou não. Primeiramente, devemos buscar conhecer sua origem.

No livro A História da Bíblia, Hendrik Willem Van Loon, com tradução de Monteiro Lobato, Ed. Cultrix, Cap. XVIII - Judéia, Província Grega, encontramos:

Durante a longa residência na Pérsia, os judeus travaram conhecimento com um novo sistema religioso. Os persas seguiam um grande mestre de nome Zaratustra, ou Zoroastro.

Zaratustra considerava a vida como uma eterna luta entre o Bem e o Mal. O deus do Bem, Ormuzd, estava sempre em guerra com o deus do Mal e da ignorância - Ariman. Ora, isto era uma idéia nova para a maior parte dos judeus.

Até então haviam eles reconhecido a um senhor único, ao qual deram o nome de Jeová.

Quando as coisas corriam mal, quando eles eram derrotados nas batalhas ou assolados por moléstias, invariavelmente atribuíam o desastre à falta de devoção do povo. A idéia de que o pecado proviesse de interferência dum espírito do mal, nunca lhes ocorrera. A própria serpente no Paraíso parecia-lhes menos culpada que Adão e Eva, os quais conscientemente haviam desobedecido à vontade divina.

Sob a influência das doutrinas de Zaratustra, os judeus começaram a crer na existência dum espírito que procurava desfazer a obra de Jeová. A esse adversário deram o nome de Satã.

Passaram a odiá-lo e temê-lo, e no ano 331 convenceram-se de que Satã andava pela terra. (VAN LOON, 1981, p. 122). (grifo nosso).

Informação importantíssima, traz-nos Hendrik, pois agora sabemos que a cultura persa acabou por influenciar os nossos antepassados no tocante à existência de satanás (letra minúscula é proposital).

A primeira vez que essa palavra aparece na Bíblia é em 1Cr 21,1. Entretanto, a esse respeito podemos citar as observações do Dr. Severino Celestino da Silva, autor do livro Analisando as Traduções Bíblicas, no qual expõe o seguinte:

Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao Recenseamento de Israêl o seguinte: ‘A cólera de IAHVÉH se inflamou novamente contra Israêl e excitou David contra eles, dizendo-lhe; Vai recensear Israêl e Judá’.

Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano 300 a.C., portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de ‘Ahriman’

– ‘Satanás’. No capítulo 21:1 desse livro, está escrito: Recenseamento: ‘e levantou-se Satã contra Israêl, e excitou David a fazer o recenseamento de Israêl’. Portanto, o que era IAHVÉH no livro de Samuel aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS. (Confira em sua Bíblia).

Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim, introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa. (DA SILVA, 2001, p. 278-279), (grifo do original).

Desta forma, a prova da incorporação da cultura religiosa persa se nos apresenta de maneira clara. E, a título de informação, o domínio persa sobre os judeus se deu no período de 539 a 400 a.C.

Seguindo, vamos encontrá-lo novamente no livro de Jó, que narra:

Jó 1,6-12: “Certa vez, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor; entre eles veio também Satanás. O Senhor, então, disse a Satanás: ‘Donde vens?’ –‘Dei umas voltas pela terra, andando a esmo’, respondeu ele. O Senhor lhe disse: ‘Reparastes no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e reto, teme a Deus e se agasta do mal’. Satanás respondeu ao Senhor: ‘Mas será por nada que Jó teme a Deus?

Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Abençoastes seus empreendimentos e seus rebanhos cobrem toda a região. Mas estende a mão e toca em todos os seus bens: eu te garanto que te lançará maldições em rosto!’ Então o Senhor disse a Satanás: ‘Pois bem, tudo o que ele possui, eu o deixo em teu poder, mas não estendas a mão contra ele!’ Mas Satanás saiu da presença do Senhor”.

Informam-nos os tradutores da Bíblia Sagrada Vozes, em nota de rodapé, que “Satanás não é o demônio da concepção cristã, mas mero personagem funcional da narrativa” (p. 634). Deduzimos, pela informação, que não se trata, portanto, de um ser.

Por volta do ano 520 a.C., em pleno domínio persa, aparece no cenário bíblico o profeta Zacarias. Em seu livro encontramos mais uma vez referência a satanás; vejamos: “Ele me fez ver o sumo Sacerdote Josué, que estava de pé diante do anjo do Senhor, e Satã, que estava de pé à sua direita para acusá-lo” (Zc 3,1).

Os mesmos tradutores citados há pouco nos dão a seguinte informação: “Satã não é ainda o Espírito do Mal ou o Demônio da concepção cristã. Não é uma pessoa, mas antes alguém que exerce uma função, a de contradizer a Deus; só aos poucos é visto como um ser pessoal” (p. 1161). Confirmam o que disseram anteriormente, mas agora de uma maneira ainda mais clara que não permite outro tipo de interpretação.

É muito comum citarem numa passagem de Isaías 14, como uma referência a satanás.

Vejamo-la:

Is 14,12-15: “Como caíste do céu, ó estrela d’alva, filho da aurora! Como foste atirado à terra, vencedor das nações! E, no entanto, dizias no teu coração: ‘Subirei até o céu, acima das estrelas de Deus colocarei o meu trono, estabelecer-me-ei na montanha da

Assembléia, nos confins do norte. Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo’. E, contudo, foste precipitado ao Xeol, nas profundezas do abismo”.

Na publicação “Mundo Novo”, Bíblia usada pelos protestantes, nós encontramos, em nota de rodapé dos tradutores (p. 866), que seria uma referência a satanás. Já na Bíblia Sagrada Vozes, de orientação católica, a nota diz que essa passagem é “provavelmente uma alusão a um mito cananeu. Há diversos paralelismos com textos da literatura ugarítica, descobertos em Rãs-Shamra” (p. 903). Esse trecho pode estar relacionado ao mito cananeu; entretanto, importante dizer que ele, na verdade, é uma sátira que Deus manda Isaías fazer ao rei da Babilônia, conforme podemos verificar no início do texto (13,1 e 14,4). Assim, o contexto não autoriza ninguém a atribuir tal referência a alguém a não ser ao rei da Babilônia.

Igual procedimento fizeram em relação a Ezequiel 28,11-15, que, também, não se refere a satanás, mas a uma lamentação (canto de tristeza) que Deus ordena que se faça sobre o rei de Tiro (v. 12).

O sentido correto de que satanás quer dizer adversário, podemos confirmar em Mateus:

Mt 16,21-23: "E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: ‘Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!’ Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: ‘Fique longe de mim, Satanás!

Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!’".

Por essa passagem podemos ver que Cristo não estava dizendo que Pedro estava com satanás, mas que ele estava exercendo a função de adversário, que expressa o verdadeiro conteúdo semântico dessa palavra. Podemos até ressaltar que em momento algum Jesus expulsou satanás de alguém, mas somente "demônios", ou seja, espíritos maus, provando desta forma que ele não é um ser como querem os teólogos.

Vejamos, agora, a análise mais completa que o Dr. Severino Celestino faz em seu livro Analisando as Traduções Bíblicas:

Satanás

Satanás é uma figura muito controvertida na Bíblia. A palavra ‘Satã’ significa acusador.

Aparece, pela primeira vez no livro de Jó, sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no “Céu”, de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 “Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles”.
 
O livro de Jó foi escrito depois do Exílio Babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo  retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano de 538 a.C., assimilou muitos costumes dos persas. Isso ocorreu devido à simpatia e apoio que receberam do rei, que inclusive permitiu a construção do Segundo Templo judaico e ainda devolveu muitos de seus tesouros, que haviam sido roubados.

A religião dos persas, o Zoroastrismo, influenciou sobremaneira o judaísmo.

No Zoroastrismo, existe o Deus supremo “Ahura-Mazda” que sofre a oposição de uma outra força poderosa, conhecida como “Angra Mainyu, ou Ahriman”, “o espírito mau”. Desde o começo da existência, esses dois espíritos antagônicos têm-se combatido mutuamente.

O Zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal.

No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons.

E foi do Zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um “Ahriman”, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de “Satanás”. Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio Babilônico, do ano de 538 a.C. para cá. Nestes livros, já aparece a influência do Zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é feita pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim, que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás. Os sábios judaicos interpretando o Eclesiastes 10:11, afirmam (Pirkei de Rabi Eliezer 13), que na verdade, a cobra que seduziu Adão e Eva era o Anjo Samael que apareceu na terra sob forma de serpente. E que Ele é conhecido como o “dono da língua”. O Anjo Samael, que apareceu sob a forma de serpente, usou sua língua, e este poder pode ser usado somente para dominar o sábio. Ele não pode prevalecer sobre um ignorante.

Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao Recenseamento de Israêl o seguinte: “A cólera de IAHVÉH se inflamou novamente contra Israêl e excitou David contra eles, dizendo-lhe; Vai recensear Israêl e Judá”.

Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano 300 a.C., portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de “Ahriman”, – “Satanás”. No capítulo 21:1 desse livro, está escrito: Recenseamento: “e levantou-se Satã contra Israêl, e excitou David a fazer o recenseamento de Israêl”. Portanto, o que era IAHVÉH no livro de Samuel aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS. (Confira em sua Bíblia).

Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim, introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa.

Passa a existir a partir daí, “uma lenda” entre o povo judeu de que Satanás é considerado como o rei dos demônios, que se rebelara contra Deus sendo expulso do céu. Ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, e tornou-se seu líder. A rebelião começou quando ele, Satanás, o maior dos anjos, com o dobro de asas, recusou prestar homenagem a Adão. Afirmam ainda que esteve por trás do pecado de Adão e Eva, no Jardim do Éden, mantendo relação sexual com Eva, sendo portanto, pai de Caim. Ajudou Noé a embriagar-se com vinho e tentou persuadir Abraão a não obedecer a deus no episódio do sacrifício do seu filho Isaac.

Muitas pessoas acreditam no poder de Satanás e até o enaltecem em suas igrejas, razão pela qual, acharmos que seriam fechadas muitas igrejas se os seus dirigentes deixassem de acreditar em Satanás. (DA SILVA, 2001, p. 277-283).

Endossamos essas últimas palavras do Dr. Severino.

Somente pessoas retrógradas ou de mente fechada é que podem acreditar na existência de duas potências – a do bem e a do mal - a lutar perpetuamente pela “posse” das almas. De duas uma: ou Deus é tudo ou não é nada. Como não admitimos a segunda hipótese, temos convicção que Deus é tudo. E tudo o que existe é criação sua, e como Deus não criaria o mal, pressupomos que o mal é temporário. Por outro lado, não poderia criar um ser perfeito que posteriormente viesse a decair, pois, assim, chegaríamos à conclusão de que Deus não o teria criado sem defeito. Ora, sendo o Criador a perfeição absoluta, tudo que faz é perfeito por natureza e origem.

Mas o homem, ainda não compreendendo a grandeza de Deus, vem, infelizmente, perpetuando esse dualismo entre o bem e o mal, principalmente no meio das religiões cristãs tradicionais. Erro teológico, que a nosso ver é grave, pois é com esse pensamento, que sustentam uma pedagogia negativa, querendo que seus fiéis façam o bem somente por medo do “tridente de satanás”, ao invés, do que seria óbvio e lógico, fazer o bem por amor ao Pai Celestial.



Paulo da Silva Neto Sobrinho

Junho/2003.
 
(revisado jan/2007).

Referências bibliográficas:

VAN LOON, H. W. A História da Bíblia. São Paulo, SP: Cultrix, 1981.

DA SILVA, S. C. Analisando as Traduções Bíblicas. João Pessoa, PB: Idéia Editora, 2001.

A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

Bíblia Sagrada, 8ª e. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1989.

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

(Texto publicado na Revista Universo Espírita, nº 03, agosto/2003).

Reencarnación y la Evolución Humana

"O essencial é invisível aos olhos."



Supongamos una ciudad que tenga 1.000 niños en la edad propia para entrar en la escuela. El municipio tiene sólo 50 plazas para ofrecer.

El primer día los admitimos, sólo en la cantidad de las plazas, tienen el uniforme, de un modelo exclusivo de la escuela, son presentados al profesor, José Antonio, que estará con ellos todo el año. Bueno, ese profesor recibe, a mitad de medio año, la visita de un amigo que vive en una ciudad grande muy lejos de allí. Ese amigo visita a los alumnos de José Antonio y analizándolos nota que aprendieron algunas cosas, pero no muchas.

Al año siguiente, un nuevo grupo es admitido. Vuelve ese amigo del profesor y le dice a él que los alumnos no aprendieron nada más allá de lo que ya sabían el año pasado, estaban casi exactamente en el mismo punto que el año anterior.

Es más o menos esa la visión de los que quieren combatir la reencarnación usando el argumento de que el mundo no evoluciona. Así como el amigo del profesor José Antonio no se dio cuenta de que los alumnos eran otros, por estar con el mismo uniforme pensó que eran los mismos alumnos. Una cosa igual ocurre en relación al ser humano que causa la impresión de que no evolucionó. Comparando con la escuela, el uniforme es el mismo el cuerpo físico mientras, los espíritus son otros los alumnos aquellos niños excedentes al número de plazas que fueron admitidos a medida de las plazas libres. A partir de cierto tiempo tendremos alumnos de varias clases y aun muchos para entrar en la escuela, así como en relación a los que quieren reencarnar y no lo consiguen ya que las plazas, por aquí también son pocas.

Fuera de eso aun existen los pesimistas que sólo quieren mirar el mundo por el lado negativo. Olvidan que los medios de comunicación sólo buscan divulgar lo que causa sensacionalismo, por eso los hechos negativos son priorizados. Y toda vez que se enciende, por ejemplo, una TV, está dando la noticia de un crimen. La población mundial aumentando considerablemente en relación a los tiempos antiguos, tiene relativamente menos crímenes que antiguamente, sólo que hacen mucho más barullo que los primeros. Si los del pasado tuviesen la divulgación que tenemos hoy, tal vez causarían la misma impresión que los de ahora están causando a algunas personas.

Una reflexión más profunda, podrá llevarnos a cuestionar sobre si realmente las cosas están incluso empeorando; las guerras en menor número, no tenemos más creencias religiosas siendo impuestas a hierro y fuego, los duelos fueron totalmente extinguidos, la esclavitud de los negros abolida, la emancipación de la mujer, la preocupación con los viejos, los niños y los animales, la asistencia a los necesitados, las guarderías, los asilos, los grupos de apoyo y protección a la dignidad del ser humano, la preocupación en preservar la naturaleza, los que optan por las comidas vegetarianas o alimentos sin agro-tóxicos, la búsqueda en democratizar los medios de intercambio entre los pueblos, son, entre otros, factores indicativos de la evolución humana. Otro indicativo, que todos nosotros observamos, es que los niños de hoy son más inteligentes que los de antiguamente.

Aunque algunos crean que la evolución tenga que ocurrir de un día para el otro, las cosas son más lentas de lo que deseamos. Si para Dios mil años son como si fuese un día, la voluntad de Dios se cumple sin prisa alguna, hecho que no conseguimos entender, pues nuestra referencia temporal es limitada. Pero de cualquier forma, si las cosas aun están en ese punto, es por una absoluta incapacidad de las religiones tradicionales en conseguir moralizar a los hombres, una vez que sus líderes poco les importan los verdaderos valores de la vida. A ellos las únicas cosas que les interesan son el poder y el dinero.

Se cuenta que Jesús, yendo por un camino, en compañía de sus discípulos, ven por delante un perro muerto. Los discípulos después de resaltar el mal olor que exhalaba del cadáver en descomposición, entre tanto, les dijo Jesús: Qué lindos dientes tenía él.

Así, queridos lectores, nuestra óptica es la que dará color a los hechos. Tendremos en nuestro campo visual aquello para lo cual dirigimos nuestra mirada, entre tanto, en ese campo, por ejemplo, tanto se puede ver la belleza de las rosas como sus puntiagudas espinas, la decisión es nuestra. ¿Pero si nuestra opción fuera mirar las espinas eso no quiere decir que las rosas no sean bellas, no es así?

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Abril/2004.

http://www.ieja.org/portugues/p_index.htm

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LA ERA DEL ESPÍRITU

 
 

Reencarnação e a evolução humana. Por Paulo da Silva Neto Sobrinho






“O dedo serve para apontar a lua; o sábio olha a lua, o ignorante olha o dedo”. Provérbio Zen


Suponhamos que haja uma cidade que tenha mil crianças com idade própria para entrar na escola. O município tem apenas cinqüenta vagas a oferecer.

No primeiro dia os admitidos, apenas na quantidade das vagas, já com o uniforme da escola, são apresentados ao professor, José Antônio, que ficará com eles durante todo o ano.

Bom, esse professor recebe, lá para o meio do ano, a visita de um amigo que mora numa cidade grande, muito longe dali. Esse amigo visita os alunos de José Antônio e analisando-os percebe que aprenderam alguma coisa, mas não muito.

No ano seguinte, nova turma é admitida. Volta esse amigo do professor e vendo essa turma, diz a ele que os alunos não aprenderam mais nada além do que já sabiam no ano passado.

Estavam quase que exatamente no mesmo ponto de partida do ano anterior.

É mais ou menos essa a visão dos que querem combater a reencarnação usando o argumento que o mundo não evoluiu. Assim como o amigo do professor José Antônio não se deu conta de que os alunos eram outros, por estarem com o mesmo uniforme achou que eles eram os mesmos. Coisa igual acontece em relação ao ser humano que causa a impressão de que não evoluiu. Comparando com a escola, o uniforme é o mesmo, entretanto, os alunos são outros.

Assim acontece na reencarnação o corpo físico tem a mesma forma humana, mas o espírito que o habita é outro. Aquelas crianças excedentes ao número de vagas que foram admitidas à medida que elas surgem, de igual modo acontece com a quantidade de espíritos necessitando reencarnar que é muito maior que a possibilidade de novos corpos para recebê-los. A partir de certo tempo teremos alunos de várias classes e ainda muitos para entrar na escola, assim como em relação aos que querem reencarnar e não conseguem já que as vagas, por aqui também são poucas.

Fora disso ainda existem os pessimistas que só querem olhar o mundo pelo lado negativo.

Esquecem que os meios de comunicação só procuram divulgar o que causa sensacionalismo. Por conta disso os fatos negativos são priorizados. E toda vez que ligamos nossa TV, nela está se noticiando um crime, violência, etc. A população mundial, aumentando consideravelmente, em relação aos tempos antigos, tem relativamente menos crimes que no passado, só que fazem muito mais barulho que os primeiros. Se os de outrora tivessem a divulgação que temos hoje, talvez causassem a mesma impressão que os de agora estão causando a algumas pessoas.

Mas uma reflexão mais profunda poderá nos levar a questionar sobre se realmente as coisas estão mesmo piorando. As guerras em menor número; não temos mais crenças religiosas sendo impostas a ferro e fogo; os duelos estão totalmente extintos; a escravidão dos negros abolida; a emancipação da mulher; a preocupação com os velhos, as crianças e os animais; a assistência aos necessitados; as creches; os asilos; os grupos de apoio e proteção à dignidade do ser humano; a preocupação em se preservar a natureza; os que optam pelas comidas vegetarianas ou por alimentos sem agrotóxicos; a democratização dos meios de intercâmbio entre os povos; são, dentre outros, fatores indicativos da evolução humana. Um outro indicativo, que todos nós observamos, é que as crianças de hoje são mais inteligentes que as de antigamente.

Embora alguns acreditem que a evolução tenha que ocorrer de um dia para o outro; as coisas são mais morosas do que desejamos. Se para Deus mil anos são como se fosse um dia, a vontade de Deus se cumpre sem pressa alguma, fato que não conseguimos entender, pois nossa referência temporal é limitada. Mas, de qualquer forma, se as coisas ainda estão nesse ponto, é por absoluta incapacidade das religiões tradicionais em conseguirem moralizar os homens, uma vez que aos seus líderes pouco importam os verdadeiros valores da vida. A eles as únicas coisas que lhes interessam são o poder e o dinheiro.

Conta-se que Jesus, indo por uma estrada, em companhia de seus discípulos, vê à frente um cachorro morto. Os discípulos logo ressaltaram o mau cheiro que exalava do cadáver já em decomposição. Entretanto, disse-lhes Jesus: “Que lindos dentes ele tinha”.

Assim, caros leitores, nossa visão é que dará o colorido aos fatos. Teremos em nosso campo visual aquilo para o qual dirigimos o nosso olhar. Entretanto, nesse campo, por exemplo, tanto se pode ver a beleza das rosas, como se concentrar em seus espinhos pontiagudos: a decisão é nossa. Mas se nossa opção for olhar os espinhos isso não quer dizer que as rosas não sejam belas, não é mesmo?

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Abril/2006.

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CENTRO ESPÍRITA ENTRA EM FÉRIAS? por Rudymara




Aprendemos que o Centro Espírita é uma escola e também um hospital para os espíritos encarnados e desencarnados. Mas, escola tira férias e hospital não. Qual devemos seguir?

Conversando com vários espíritas de várias casas espíritas vemos que há muita dúvida sobre o recesso de fim de ano e carnaval das casas espíritas. Uns são a favor e outros contra. Os argumentos são vários: "o movimento cai nessa época do ano", "precisamos descansar", "o ano foi difícil", "outras localidades também fecham", "os dirigentes e médiuns viajam, não compensa abrir", "cai a vibração da casa, não há substitutos à altura", “não podemos parar, os espíritos não tiram férias”, “hospital não fecha”, etc.

Aprendemos sobre as vibrações difíceis da época de carnaval e a facilidade dos ataques espirituais sobre os invigilantes. Assim como aprendemos que na época de Natal as vibrações são excelentes porque pessoas estão mais abertas ao amor, a caridade, a fraternidade, etc., e consequentemente, há facilidade em receber auxílio espiritual. Então, por que não nos unirmos para auxiliar os trabalhadores do Cristo com nossas preces e vibrações na época de carnaval? Por que não reforçar os ensinamentos de Jesus na época de Natal?

Vejamos o que disse Chico Xavier: “Para mim, centro espírita tinha que abrir todo dia, o dia inteiro...Se é hospital, como dizemos, como é que pode estar de portas fechadas?!...O centro precisava se organizar para melhor atender os necessitados. O que impede que o centro espírita seja mais produtivo é a centralização das tarefas; existe dirigente que não abre mão do comando da instituição...Ora, de fato, a instituição necessita de comando, mas de um comando que se preocupe em criar espaço para que os companheiros trabalhem, sem que ninguém esteja mais preocupados com cargos do que com encargos...”

Diante de tal assunto escrevi para Richard Simonetti e pedi sua opinião. Eis o que ele respondeu: “As reuniões públicas, de atendimento fraterno, passes e palestras, não devem sofrer interrupção. No CEAC em Bauru, funcionam ininterruptamente. Assim como hospitais, núcleos de saúde e serviços de utilidade pública, não param nunca. Colaboradores que viajam são substituídos por companheiros. Cursos em andamento são interrompidos na segunda quinzena de dezembro. Voltam em fevereiro. Cursos novos começam em março. Grupos mediúnicos interrompem atividades por duas semanas, no final do ano. Voltam logo no início. Biblioteca, Livraria, tesouraria, funcionam sem interrupção.”

Como vemos, uma grande parte dos trabalhos devem ser tratados como HOSPITAL, porque pedem um socorro imediato. Já o estudo pode ser tratado como ESCOLA, podendo ter uma pausa maior.

Elias B. Ibraim escreveu para o Jornal “Verdade e Luz” de Ribeirão Preto (Edição abril/98): “Todos temos consciência de que dirigentes e médiuns podem viajar, evidentemente. Eles fazem jus ao direito de visitar parente, amigos, confraternizar. O que eles não tem direito é de fechar o Centro Espírita. Nas suas ausências, companheiros e companheiras, preparados, devem substituí-los. Pode, inclusive, ser adotado o sistema de rodízio para efeito de faltas, desde que não sejam prejudicadas as atividades do Centro.”

Jesus disse: “Deus trabalha até hoje e eu também”. Portanto, não tiram férias. Os espíritos não disseram que Jesus é nosso guia e modelo? Então, sigamo-Lo.

Quando dizemos que Divaldo e Chico nunca tiraram férias do Espiritismo costumamos ouvir: “Não estou preparado. Estou longe da evolução deles.” Perguntemos: “Quando estaremos preparados?” “Por que, muitos de nós, só agimos diante da dor e quando nos é conveniente?” “No trabalho remunerado não faltamos e não tiramos além de 30 dias de férias no ano. Por que com a parte espiritual somos negligentes?” Precisamos lembrar que a cobrança será maior pelo que deixamos de fazer, do que pelo que fizemos. E que serão mais cobrados aqueles que mais entendimento tiver.


(Texto escrito por Rudymara)

Qual é a missão do centro espírita? por Fernando Clímaco (PE) E-mail: fclimaco@hotmail.com




Para responder esta questão, precisamos aclarar alguns conceitos: primeiro em relação à palavra Missão, que no meio espírita costuma estar relacionada à algum tipo de mandato especial, algum tipo de tarefa divina. Provavelmente, este conceito está relacionado a um entendimento doutrinário muito comum aos espíritas, quanto ao objetivo da encarnação ou do nascimento na vida corporal neste mundo. O espírito missionário é aquele que reencarna por amor, por desprendimento e não por necessidade probatória ou expiatória, como a maioria. A missão seria relacionada à uma condição especial e, podemos dizer, de exceção.

É desdobramento desse entendimento, a meu ver um tanto distorcido, que o missionário está, naturalmente, fadado ao sucesso. É verdade que repetimos que o missionário também pode falhar e citamos a advertência recebida por Allan Kardec na qual os espíritos afirmaram que os planos de Deus não repousariam nos ombros de um único homem, e que se ele falhasse em sua missão outro o substituiria (A Gênese), mas no fundo nós não acreditamos que um missionário possa falhar. Mitificamos o conceito e criamos o dogma da infalibilidade do espírito missionário.

Infelizmente, terminamos extrapolando este entendimento para as instituições. A tendência é ver a casa espírita também como missionária, com uma tarefa especial, divina e, por conseqüência, predestinada ao sucesso. Não duvidamos que algumas instituições tenham antecedentes de origem no plano espiritual e que tenham sido pensadas lá antes de serem concretizadas aqui. Mas também sei que isto não é um privilégio dos Centros Espíritas. Os espíritos atuam em todos os campos da vida humana e social e ajudam a pensar e construir todos os movimentos, em regime de co-participação e co-autoria com os homens e mulheres na vida física.[1]

Ora, o indivíduo espiritista está sujeito às mesmas leis naturais que qualquer outra pessoa. As Leis Divinas funcionam para ele da mesma maneira. Por que seria diferente com as instituições? E não é diferente mesmo, o que só confirma o conceito de Justiça Divina. As Casas Espíritas estão sujeitas às mesmas Leis Naturais que qualquer outra organização humana e o seu sucesso ou fracasso depende, como em qualquer outra área, primeiro das pessoas (incluindo os espíritos) que as dirigem e, em segundo lugar, dos princípios que as norteiam.

Aqui, começamos a nos aproximar do conceito de Missão que queremos discutir. Normalmente quando se fala de missão do Centro Espírita não se está falando de um Centro Espírita concreto com endereço, CNPJ e data de fundação, mas de um conceito muito mais genérico. Falamos de Centro Espírita no plano conceitual e discutimos uma missão que termina sendo aplicada e generalizada para todas as instituições.

Vou tentar ser mais claro com um exemplo fora do “universo” espírita: uma coisa é discutir qual é a missão das ONGs (Organizações Não Governamentais), abordando princípios gerais e comuns a este tipo de organização que se encontram espalhadas em diversos países, outra coisa bem diferente é discutir a missão de cada uma delas no seu contexto, na sua localidade, com seu público específico. Algumas trabalham a questão do meio ambiente, outras atuam na defesa de determinadas minorias, outras ainda dedicam-se ao combate à corrupção etc, etc.

Existem princípios comuns entre elas? Certamente. Há semelhanças administrativas? Possivelmente. Mas o que as faz peculiares, e por isso mesmo, necessárias, são as suas missões. Missões específicas, únicas e que não se sobrepõem. Podem até atuar em áreas semelhantes, mas seu contexto e seu público são diferenciados, são únicos.

Claro que não é apenas uma missão bem definida a garantia do sucesso destas instituições que têm se multiplicado no mundo e há uma conjunção de outros fatores envolvidos. Mas a definição clara da missão, e o seu compartilhamento entre todos que fazem a organização é fator preponderante, porque aponta a direção do trabalho. Todos sabem para onde querem ir, e esta clareza é fundamental para alimentar o “ânima” da instituição, mantendo dirigentes e colaboradores motivados com o trabalho.

Sem uma missão clara, é impossível, por exemplo, analisar resultados concretos. Não se tem dados com os quais se possa demonstrar o resultado do investimento em esforço pessoal, tempo e recursos aplicados no projeto. E este feedback é muito importante para manter a motivação das equipes.

Tradicionalmente, no Brasil, quando discutimos missão do Centro Espírita não saímos da discussão conceitual, genérica. Tratamos dos pontos que são comuns às instituições, dos princípios que as norteiam e que se encontram na própria Doutrina Espírita, mas não discutimos as diferenças de contexto, de público, de realidade social.

Tome-se, como exemplo, os Estatutos das instituições espíritas de qualquer ponto do país que encontraremos entre as finalidades da instituição, com pequenas alterações na maneira de escrever: o estudo, a vivência e a divulgação do Espiritismo, a prática da caridade e a transformação moral do homem. Muito bem. Como princípios gerais, ou até mesmo como valores comuns válidos para as instituições espíritas está perfeito, mas não como missão, como finalidade. São conceitos ainda vagos e que não definem para que aquela instituição que tem endereço e CNPJ foi criada. Para que ela nasceu?

Perguntei a um dirigente espírita, certa vez, qual era o público alvo de sua instituição e ele respondeu com ar messiânico: “...toda humanidade”! Numa outra oportunidade conversando com um outro dirigente que costumava elaborar planos de ação e de metas para sua instituição, ouvi-o dizer que a missão da instituição era a “transformação moral do homem”. Tudo bem, mas de que homens estaria falando? Da sua cidade? Do seu bairro? Ou dos seis bilhões que existem no planeta.

Essa tendência a generalizar demais, faz com que os centros terminem sendo um pouco cópia uns dos outros. E, de certa forma, sem considerar aspectos mais subjetivos e exceções que existem (até mesmo para confirmar a regra) quem conheceu um Centro Espírita conheceu todos. Há uma tendência a padronizar comportamentos, atividades e procedimentos administrativos sem uma reflexão maior a respeito do papel daquela instituição no contexto social a que pertence.

E isto é reforçado por “treinamentos” e “capacitações” oferecidos por instituições que organizam o Movimento nos estados e no país, cujo foco principal é a padronização e não a discussão da realidade local. Pouco se presta atenção a este aspecto. Esta é uma tendência histórica, tradicional do Movimento Espírita Brasileiro, responsável pela estagnação de muitas instituições que não conseguem crescer, evoluir porque se encontram tão descontextualizadas, tão sem foco, que as pessoas se desmotivam e se afastam buscando outras atividades que as preencham mais plenamente. A instituição vai perdendo a “alma”, o sentido, e as pessoas passam a repetir as atividades mecanicamente.

Funda-se um Centro Espírita e ninguém discute qual será seu papel naquela comunidade, naquele bairro, naquele município. Pouco se pergunta o que a instituição pode fazer para reduzir as desigualdades locais, para promover o desenvolvimento e a educação das pessoas e de quais pessoas estamos falando. Não se leva em conta o contexto sócio-econômico e político da localidade e a condição de vida da comunidade. Não nos preocupamos com dados que demonstrem pontos de estrangulamento no desenvolvimento local aonde possamos atuar... enfim... não temos uma etapa de diagnóstico local que nos traga indicações para nossa missão.

Normalmente, as casas que nascem dentro de um contexto tendem a se firmar de forma bem mais fácil como por exemplo, a instituição que nasce de um grupo de pessoas que já fazia determinado trabalho social e que se institui em torno de aspirações comuns. Infelizmente esta não é a realidade da maioria. O mais comum é que um grupo de pessoas decida fundar um Centro Espírita (muitas vezes por dissidência de casas mais antigas que já se desmotivaram) e comecem a repetir procedimentos e atividades que todas as outras já fazem ou fizeram: uma reunião pública, uma sala para aplicar passes, campanha do quilo, um grupo de mediunidade e pronto: temos mais um Centro Espírita e, provavelmente apenas isto: mais um repetindo procedimentos durante décadas sem conseguir fazer diferença no contexto social em que se situa.

Ao redor dele, a violência, o vício, o analfabetismo, a fome, as doenças continuam como há 10, 20 ou 50 anos atrás (ou até pior). Os trabalhadores desmotivados e desqualificados e a instituição acreditando que tem uma missão divina, um mandato dos céus. Temos sim, uma dívida social imensa, porque permitimos que várias gerações de uma mesma família passem por nossas casas e a mesma cesta básica que eu distribuía para a avó, continuo entregando para a neta, sem que nada tenha feito para que aquela neta não mais necessitasse dela. Mais do que falta de caridade, isto é falta de clareza na missão da instituição, falta de foco, já que não se pode atuar em todas as frentes, nem tampouco resolver a todos os problemas sociais.

Com uma missão bem definida, no entanto, podemos obter resultados concretos naquilo que nos propomos a fazer, e ser agentes multiplicadores do desenvolvimento e do progresso das pessoas numa área específica, inspirando a organização de outros movimentos que possam replicar a experiência em outros contextos.

Chego a algumas conclusões, e a principal delas é que as Instituições Espíritas precisam passar por uma verdadeira reengenharia. Nelas existe muita gente de boa vontade, capaz de grandes feitos pelas causas nas quais acreditam, mas que estão se sentindo desmotivadas ou sem um norte muito claro quanto ao seu papel. E isto é reflexo da própria falta de foco da instituição, que não tem eficiência na transformação da realidade. O voluntário, diferentemente do assalariado, alimenta-se do resultado de seu trabalho, mas ele precisa ter clareza de seu papel e de seu foco. Aonde queremos chegar? Qual o nosso público alvo? As instituições eficientes na transformação da realidade têm estas perguntas muito claramente respondidas por todos os seus integrantes.

É, portanto, muito importante que para manter a sua vitalidade, o Movimento Espírita inicie um movimento de reflexão intra-muros quanto ao papel de suas instituições. Não genericamente consideradas, mas como organizações reais, que tem um contexto sócio-econômico e político e que pode comprometer-se com a transformação desta realidade ou manter-se comprometido com o “status quo” atual.

Para isso, entendo serem fundamentais algumas ações:

Diagnóstico e sensibilização quanto à realidade local;

Intercâmbio com outras organizações e movimentos com maior experiência no campo social;

Especialização e explicitação das missões das Casas Espíritas com base no seu próprio contexto e redefinição das prioridades, ações e atividades;

Preparação (qualificação) dos voluntários para atender às missões assumidas coletivamente;

Viabilização de uma maior carga horária de trabalho semanal voltado para as atividades selecionadas.

Possivelmente esta auto-crítica institucional não será um processo fácil, nem simples. Há apegos compreensíveis a contextos e atividades tradicionais, herança de anos repetindo determinadas práticas, mas é preciso verificar racionalmente que podemos ser muito mais eficientes.

Vejamos alguns dados: em Pernambuco, por exemplo, são cerca de 300 Centros Espíritas, dos quais, aproximadamente 60% encontra-se na região metropolitana do Recife, isto é, cerca de 180 instituições distribuídas em todos os quadrantes da cidade. Poucos bairros do Recife não têm, pelo menos, uma instituição. Se considerarmos a possibilidade de termos pelo menos 100 pessoas em cada uma delas, entre trabalhadores efetivos e colaboradores, teremos um exército de 18.000 voluntários, isso mesmo, DEZOITO MIL voluntários numa estimativa modesta, já que a freqüência de diversas destas instituições é muito superior a 100 pessoas.

Por que este trabalho não é socialmente perceptível? Por que mais de 18.000 voluntários não são capazes de impactar positivamente a sociedade com suas realizações? Por que não são notícia? Freqüentemente criticamos a mídia por só mostrar “coisa ruim”, mas muitas iniciativas nobres têm sido mostradas pela mídia. Casa de Passagem, voluntários do Hospital do câncer, projetos envolvendo arte e cultura para jovens e crianças em escolas e comunidades, Associação de Mulheres de Nazaré da Mata - AMUNAM, Pastoral da criança, Projetos financiados pelo projeto Criança Esperança etc, etc. E onde estão os projetos dos Espíritas? Insisto: por que não são notícia? E não me venha falar em dar com uma mão sem que a outra veja, porque aqui não é uma questão de modéstia ou humildade, mas de reconhecimento público natural de um trabalho bem feito. Chico Xavier sempre foi a humildade em pessoa, mas não deixou de se tornar um dos homens mais conhecidos e reconhecidos pelo seu trabalho no Brasil.

Na realidade, o que nos falta, e que é marca comum em todos estes projetos e iniciativas que citei é uma missão bem definida, um foco claro e trabalhadores qualificados para assumir as atividades especializadas. Quando se fala em Casa de Passagem em Pernambuco você pode até não conhecer bem a instituição, mas sabe que ela trabalha na ressocialização de meninas de rua; é a sua missão. Seus voluntários e voluntárias sabem fazer e fazem com muita eficiência. Este foco bem definido permite a otimização de todos os recursos, humanos e materiais, que se voltam para metas claras e bem definidas.

Nas casas espíritas há uma pulverização de atividades tão grande que ninguém é especialista em nada. Ao contrário, o voluntário espírita adaptado a falta de foco institucional, caracteriza-se por ser uma espécie de “multi-tudo”: aplica passes, faz palestra, participa da reunião mediúnica, faz campanha do quilo, evangeliza as crianças e participa da assistência social. Ora, ninguém, nem pessoas nem organizações, conseguirão ser bons em “tudo” que fazem, se se propõem a “tudo” fazerem. E isso é lógico.

Um exemplo muito interessante é o Grupo Espírita Allan Kardec de Natal – RN. O GEAK, como é conhecido na capital potiguar, se especializou na Terapia do Passe. O coordenador deste trabalho é o conhecido escritor espírita Jacob Melo, autor do livro O Passe, seu estudo, suas técnicas, sua prática (FEB, 1992, 447p). Os voluntários são muito bem preparados, estudam as bases da terapia, as técnicas do magnetismo, anatomia humana e têm um trabalho de acompanhamento e controle muito bem feito de seus “pacientes”. O trabalho bem estruturado faz com que pessoas ligadas a outros centros espíritas da cidade façam terapia lá, mesmo havendo passes em suas instituições. E por que? Porque o GEAK tem qualidade, tem acompanhamento, assessoria médica e, o mais importante: tem resultados verificáveis não apenas pelos depoimentos das pessoas, mas por exames clínicos feitos antes e depois dos tratamentos que comprovam a cura de enfermidades. E isto não significa que o GEAK só aplica passes. Não. Têm seus grupos de estudo, reunião pública, grupo mediúnico etc, mas descobriram uma vocação especial e se dedicaram a ela, fazendo diferença.

Por que não estudamos qual a nossa vocação institucional? Por que não fazer uma autocrítica e verificar em que somos bons e em que somos apenas sofríveis? E, a partir daí, por que não reforçar os aspectos positivos, assumindo a vocação como missão da instituição? O que sua instituição faz muito bem? Que atividades estão meio mecânicas, sem alma e sem motivação? O que consegue motivar sua equipe?

Há pouco tomei conhecimento de uma instituição espírita que extinguiu um trabalho que era feito com um grupo de jovens mães a quem se distribuíam enxovais e cestas básicas indistintamente. A equipe fez uma autocrítica e chegou à conclusão que muitas daquelas mulheres, jovens e saudáveis estavam ficando dependentes da doação e não se preocupavam em lutar para conseguir trabalho de maneira a responsabilizar-se por sua própria sustentação. A decisão foi tomada e o trabalho se aperfeiçoou. Hoje, apenas um grupo de senhoras vovós é que recebem o auxílio. São elas que sustentam os netos abandonados por algumas daquelas jovens mães que entregam os filhos para as avós criarem. Esta mesma instituição, que atua numa região de periferia numa grande capital, onde droga e violência são pratos do dia, selecionou entre as diversas atividades sociais antes mantidas, quais as mais eficientes para ajudar a mudar o contexto social local. Hoje, atua com crianças e jovens da comunidade oferecendo atividades artístico-culturais e até artes-marciais para os meninos e meninas do projeto. E em que é que isto faz diferença? Nos resultados, mais uma vez. Os meninos do karatê (alguns já eram reconhecidos como pequenos delinqüentes locais) estão aprendendo a lidar com sua própria agressividade e saíram das ruas, reduzindo muito o risco de caírem nas drogas e serem vítimas da violência. O trabalho tem tido reflexos tão positivos na comunidade que pessoas de outras religiões têm se tornado voluntárias do projeto, segundo depoimento da presidência da instituição.

A falta de foco nos Centros Espíritas é tão séria, que mesmo aqueles que deveriam ter isto já bem definido pelas próprias circunstâncias não conseguem. Uma instituição, por exemplo, que mantém um abrigo para idosos. Imagina-se, naturalmente, dentro da lógica do trabalho social, que o foco da instituição seja o trabalho de promoção e de valorização do idoso, que deveria estar se relacionando com outras instituições que lidam com a causa e se associando às iniciativas de promoção do bem estar dos indivíduos da terceira idade. Mas, salvo as honrosas exceções, o que se vê na prática é que o abrigo é apenas um apêndice da instituição, mas não há uma dinâmica em torno daquele público alvo específico. Perdoem-me se minha impressão é falsa (até espero que seja), mas em alguns casos parece que estão ali mais por nós do que por eles; estão para receberem a nossa “caridade”. Nesses casos, o compromisso com aquela atividade é apenas parcial e não a missão da organização. O grupo comprometido com a promoção dos idosos não se contentará com abrigar e alimentar, mas quererá vê-los felizes, e por isso terá uma equipe capaz de promover saúde física e emocional para os vovôs e vovós. Uma equipe que estará se atualizando em estudos, em atividades e aparelhagens específicas e transformando “velhos” abandonados e sem auto-estima em cidadãos de terceira idade que voltaram a se reconhecer como pessoa. Viu a diferença?

Vivemos um período de intensa ebulição social, de grande dinamismo nas atividades e de uma velocidade vertiginosa nas mudanças que afetam o ser humano. É muito importante que o Movimento Espírita comece esta autocrítica para podermos reforçar os aspectos positivos de nossa ação no mundo e corrigir alguns graus na rota na qual navegamos para uma ação mais efetiva na Renovação Social que, conforme Allan Kardec, é o momento de culminância da evolução do Espiritismo no planeta Terra.

(1) Sobre esta tendência de interpretar a origem sobrenatural das Casas Espíritas, ver meu livro “O Canto das Pedras” quando comentamos um artigo publicado em Reformador, do ex-diretor da Federação Espírita Brasileira Luciano dos Anjos que afirma da sobrenaturalidade daquela instituição.

Ética da transgressão por Paulo R. Santos (MG)




Pode parecer estranho pensar em uma ética da transgressão, no entanto, sem ela haveria uma forte tendência à estagnação, tanto no campo individual quanto coletivo. Buda, 600 anos antes do Cristo, transgrediu ao deixar a realeza, cortar seus cabelos (símbolo do seu status social) e sair em busca de uma nova forma de viver e conviver. Legou-nos o princípio da compaixão por todos os seres como um valor essencial à vida.

Sócrates, o filósofo grego, também transgrediu lá pelo século V a.C. ao propor uma nova forma de viver através da busca incessante de si mesmo, do autoconhecimento que liberta da superstição e da ignorância. Jesus também transgrediu ao igualar servos e senhores, judeus e não judeus diante do mesmo Criador. Ele conversava com todo o tipo de gente, de prostitutas a cobradores de impostos, com romanos e samaritanos e a todos tratava com igualdade. Legou-nos uma proposta ético-social baseada no amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

A história está cheia de transgressores que alavancaram o progresso, abrindo mão de seu bem-estar em favor da humanidade. Generosos, sofreram com a calúnia e a difamação e pagaram até com a vida por suas transgressões que irrigam o pensamento humano até nossos dias, mantendo viva a esperança na construção de uma sociedade mais justa e melhor. Giordano Bruno e Galileu, e mais recentemente Gandhi e Luther King. Todos lutaram por ideais humanitários de igualdade e justiça para todos.

Recentemente a população de alguns países também transgrediu para obter avanços na esfera político-social. Os poloneses resistiram à ditadura de esquerda até que ela caísse pela perda total de legitimidade. Os chilenos derrubaram o ditador de direita, Augusto Pinochet, pela resistência pacífica e desobediência civil, levando seu governo também a perder a pretensa legitimidade de seu poder. Os sul-africanos livraram-se do apartheid que lhes foi imposto pelo racismo dos colonizadores europeus, aplicando a não violência inspirada na militância social e política de Gandhi e mantida viva por Nelson Mandela até a vitória.

É bem verdade que em todos esses casos a estratégia do não confronto com a força bruta, não evitou sofrimentos e mortes. Porém, os conflitos puderam ser paulatinamente solucionados por outras vias que não a guerra civil, e algum tipo de regime político, mais tolerante, se estabeleceu após a fase crítica.

Muitos pensadores têm analisado a sociedade em que vivemos, apontando suas falhas, propondo soluções e mudanças pelas vias do entendimento. O sociólogo alemão Max Weber analisou o Estado, a liderança, a burocracia e o poder político, aprofundou reflexões sobre as religiões e estudou o que veio a se chamar de ética da responsabilidade. Fez críticas ao modelo de racionalidade instrumental em vigência, que nos desumaniza e a todos coloca no que ele denominou “prisão de ferro”. Seu anti-intelectualismo e anti-academicismo foram o resultado das observações que fez. Percebeu que a democracia liberal-burguesa retirou a vitalidade e a espontaneidade da vida social através da burocracia, e que também a academia burocratiza o saber, mantendo o controle do conhecimento, do que é certo ou errado e, como conseqüência, do pensamento das pessoas.


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Uma das possíveis conceituações de Ética nos é dada pelo Dicionário Aurélio: “Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal.” Os gregos da Antiguidade talvez simplificassem isso para algo como a busca do bem viver e conviver. Ética e moral não são a mesma coisa, segundo o pensamento de muitos autores. A moral seria a soma dos hábitos, tradições, leis e costumes que sustentam uma sociedade. Portanto, seria de caráter coletivo. A ética presume escolha voluntária de valores aos quais cada um se submete por vontade própria. A moral (dominante) nos é imposta, mas a ética é de livre escolha. Alguém pode ser punido por roubar, mas não se pode estabelecer por lei que uma pessoa seja honesta, pois tal valor – honestidade – é de foro íntimo.

“Jamais haverá um Estado realmente livre e esclarecido até que este venha a reconhecer o indivíduo como um poder mais alto e independente, do qual deriva todo o seu próprio poder e autoridade, e o trate da maneira adequada. Agrada-me imaginar um Estado que, afinal, possa permitir-se ser justo com todos os homens e tratar o indivíduo com respeito, como um seu semelhante; que consiga até mesmo não achar incompatível com sua própria paz o fato de uns poucos viverem à parte dele, sem intrometer-se com ele, sem serem abarcados por ele, e que cumpram todos os seus deveres como homens e cidadãos.” (THOREAU, Henry D., A Desobediência Civil, Porto Alegre, L&PM Pocket, 1997, p.55).

Fala-se muito em ética na política. Parece-nos mais apropriado pensar em políticos éticos, isto é, homens cuja comprovada probidade na vida privada possa ser estendida à vida pública. Assim, evita-se que homens e mulheres com interesses pessoais cheguem ao poder para criticar o passado e projetar um futuro de promessas, mas sem fazer aquilo para o que foram eleitos: pensar o presente e legislar sobre ele, com honestidade e transparência.

A Globalização implodiu valores ético-sociais que mantinham a sociedade de alguma forma viva e ativa. O fenômeno da Globalização trouxe em sua esteira o receituário neoliberal que, além de estabelecer parâmetros de conduta baseados na ética do mercado, isto é, baseados na competição e no individualismo, deixou uma sensação de que não se pode fazer nada, que é o fim da história. Essa talvez seja a maior força do “globalitarismo”, neologismo criado pelo falecido professor Milton Santos, e que dissemina a sensação de impotência e indiferença que hoje se vê. A violência generalizada tem aí boa parte de suas causas.

 
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Chegamos a um momento em que, do ponto de vista cultural, o rompimento com a racionalidade e a ética centrada no mercado é inadiável e indispensável. É o momento de se procurar efetivar a globalização da consciência humana. “Trata-se da globalização da própria humanidade, compreendida como agrupamento planetário de pessoas, portanto, um agrupamento hipercomplexo, hipercentrado, hiperconsciente, coextensivo ao astro sobre o qual ele nasceu. A peculiaridade maior deste supercomplexo orgânico-social em formação é não ser um todo maciço. Ao contrário, seus componentes não devem perder sua personalidade singular ao coletivizar-se. O desenvolvimento humano só é possível porque cada um dos seus componentes é um ser pessoal e reflexivo.” (Leonardo Boff e Marcos Arruda. Globalização: Desafios socioeconômicos, éticos e educativos. Petrópolis, Vozes, 2001, p.45/46).

Se viver é conviver, os paradigmas dessa convivência deverão ser estabelecidos por uma revolução cultural que priorize o humano em lugar do mercado. Que restabeleça os valores do “ser” e que revitalize o mundo dos afetos, colocando a racionalidade instrumental em seu devido lugar.

Não será fácil inventar a sociedade que precisamos e queremos. Esta que aí está, por estar fundada em valores materiais, necessita de um ethos compatível para manter-se: o cinismo, o sadismo e as mentiras consentidas. Para a criação da república dos Espíritos será necessária uma renovação mental e comportamental já em curso por força das circunstâncias, mas que pode ser acelerada pela disseminação dos saberes que valorizem a vida humana, a natureza e nossa subjetividade espiritual. Romper com as regras de um jogo perigoso para a humanidade é assumir a ética da transgressão em seu melhor aspecto, sem parecer simplesmente um rebelde sem causa ou bandeira.

 

(Alinhado com o Tema da Abrade do ano 2006: Viver com Ética)


 

- Paulo R. Santos (MG)


sábado, 21 de maio de 2011

Os Animais Tem Alma? III




Os animais têm alma? O que acontece com os animais no mundo espiritual? Os animais reencarnam?

Muitos duvidam da existência da alma dos animais, achando que apenas o homem a possui. Outros, entretanto, afirmam que eles não só têm alma, como esta é igual ao do homem. Entendendo-se como alma a parte imaterial do ser, o espírito, os animais a possuem sim, e esse princípio independente da matéria sobrevive ao corpo físico.

Nesse propósito, temos em O Livro dos Espíritos a seguinte explicação: "É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e de Deus". Na mesma obra, encontramos também um esclarecimento muito importante para o assunto em pauta. "Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? Conserva a sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece latente".

No livro Os Animais têm Alma?, Ernesto Bozzano, conhecido filósofo e metapsiquista italiano, apresenta 130 casos de materializações de animais, visão e identificação de espíritos de animais mortos, alucinações telepáticas percebidas ao mesmo tempo pelo animal e pelo homem, bem como várias aparições de animais sob a forma simbólico-premonitória. Cada caso é devidamente documentado e os comentários, apresentados com suas respectivas conclusões, são de difícil contestação.



A PSIQUÉ ANIMAL



A respeito de sua obra, Bozzano afirma: "Ela consiste em um primeiro ensaio para demonstrar, por um método científico, a sobrevivência da psique animal. É preciso voltarmos ao nosso assunto e concluirmos salientando que a existência de faculdades supranormais na subconsciência animal, existência suficientemente comprovada pelos casos que expusemos, constitui uma boa prova em favor da psique animal. Para o homem, deve-se inferir que as faculdades em questão representam, em sua subconsciência, os sentidos espirituais pré-formadas esperando se exercerem em um meio espiritual (como as faculdades dos sentidos estavam pré-formadas no embrião esperando se exercerem no meio terrestre). Se assim é, como as mesmas faculdades se encontram na subconsciência animal, deve-se inferir daí, logicamente, que os animais possuem, por sua vez, um espírito que sobrevive à morte do corpo".

Em Nosso Lar, de André Luiz, encontramos um trecho que dá conta da existência de animais no plano astral: "Seis grandes carros formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e barulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros produzindo ruídos singulares".

O que estariam fazendo esses animais que acompanhavam a caravana dos samaritanos, constituída por espíritos abnegados que iam até o umbral buscar enfermos para serem tratados nas "câmaras de retificação"? Colaborando. Os cães facilitavam a penetração nas regiões obscuras e afastavam seres monstruosos, os muares puxavam cargas e forneciam calor onde necessário e as aves devoravam as formas mentais odientas e perversas.

O pai da médium Yvonne A. Pereira, por meio de mensagem psicografada por ela, enviou um importante contributo para o nosso assunto. Ao desencarnar, ele foi levado para uma cidade pequena, sossegada, apropriada para convalescentes. Ao despertar, após três dias de seu decesso, encontrava-se só em uma varanda orlada de trepadeiras floridas. "O único rumor partia do orquestrar longínquo de uns pássaros, verdadeira melodia que ressoava aos meus ouvidos com delicadeza e ternura", disse.



CUIDAR DOS ANIMAIS



No livro O Consolador, Emmanuel esclarece quanto á missão que os humanos têm com relação aos nossos irmãos menores, que são os animais: "Sem dúvida, também a zoologia merece o zelo da esfera invisível, mas é indispensável considerarmos a utilidade de uma advertência aos homens, convidando-os a examinar detidamente seus laços de parentesco com os animais dentro das linhas evolutivas, sendo justo que procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob seu cuidado amigo. Os reinos da natureza, aliás, são o campo de operação e trabalho dos homens, sendo razoável considerá-los mais sob a sua responsabilidade direta que propriamente dos espíritos, razão porque responderão perante as leis divinas pelo que fizerem em consciência com os patrimônios da natureza terrestre".

Sábia advertência. Felizes os que a escutarem. Nosso carinho e solidariedade aos seres que, mesmo estando abaixo de nós na escala evolutiva, são capazes de nos servir e amar. Necessitamos deles como eles necessitam de nós. E nessa troca de trabalhos e afetividade, todos ganham.



Artigo publicado na edição 15 da Revista Cristã do Espiritismo.




1. OLHOS DE VER E OLHOS DE OLHAR por Hermínio C. Miranda




O DR. PIMENTEL CORTOU O CORDÃO umbilical, enrolou a criança em uma toalha — era uma menina —, colocou-a cuidadosamente de bruços e passou a cuidar da mãe, exausta e dolorida.

Eu tinha 23 anos de idade e pela primeira vez na vida agitavam-se em mim as poderosas emoções da paternidade, com todas as suas perplexidades, complexidades e expectativas.

Aproximei-me do pequeno embrulho sobre a cama para olhar de perto minha filha. Pensava, talvez, encontrá-la cochilando, a sonhar, ainda, com os mistérios de suas origens. Foi uma surpresa observar que tinha os olhinhos escuros bem abertos, atentos e acesos, a me contemplarem de maneira enigmática e inquisitiva. Lembro-me perfeitamente das ruguinhas traçadas na testa exígua, pelo esforço que fazia ao levantar a cabecinha careca, como se perguntasse a si mesma:

— Será que esse sujeito vai ser um bom pai para mim? Cadê minha mãe?

E agora, que vão fazer comigo? Quanto tempo vou ficar aqui, enrolada neste pano?

Quanto a mim, não me recordo dos pensamentos que transitavam pela minha mente, mas sei que eram muitos, e desencontrados. Acho mesmo que tinha tantas perguntas quanto ela, talvez mais, não sei. Uma coisa era certa:

Ana Maria acabava de chegar. (Eu sabia o nome dela porque já o havíamos escolhido com a devida antecedência. Embora houvesse um nome masculino de reserva, de certa forma eu ‘sabia” que seria uma menina. Mistérios esses que hoje entendo melhor do que então.) Que ela chegara, não havia dúvida, pois estava ali, olhos curiosos, prontinha para começar a exploração do novo mundo em que viera viver. Minha dúvida era outra, ou seja, de onde vinha aquele ser? A lógica me dizia que se chegara aqui é porque partira de algum lugar, onde estava antes de vir. Onde, porém? Aprendera eu, em tempos, agora remotos, da infância, que Deus criava uma alma novinha em folha para cada criança que nascia, mas eu tinha já minhas dificuldades com essas e outras informações. Não havia como questionar a sabedoria, a grandeza e o poder de Deus, que ali estavam patenteados, mesmo porque, obviamente, não poderíamos, ajovem esposa e eu, ter criado aquela pessoinha a partir do nada.

Eu aprenderia mais tarde que o ser humano descobre coisas, mas não as cria, nem as inventa, e nós, certamente, não havíamos inventado aquele embrulhinho morno de gente que atentamente me espiava.

Quem seria aquele ser? De onde vinha? O que pretenderia da vida?

Como seria ela? Que papel me caberia, e à sua mãe, na vida que apenas começava? Ou será que não estava começando e sim continuando?

Eu não sabia. Mas queria muito saber, ter respostas para essas indagações e muitas outras, de que nem me lembro ou sequer tenham sido formuladas, mesmo porque, como disse, eu mergulhara em um turbilhão de inesperadas e insuspeitadas emoções. Estas, contudo, não me suscitavam temores ou inquietações e sim uma estranha alegria, ao perceber que também eu tinha condições de participar, com minha modesta contribuição, daquele deslumbrante espetáculo de renovação da vida.

As dúvidas ficavam para mais tarde. Um dia eu saberia, devo ter pensado. Por enquanto, havia providências a tomar, neste lado de cá da vida, onde os seres chegaram há mais tempo e andam, falam, riem e choram. Mas bem que eu gostaria de ter alguém ali que me dissesse alguma coisa sobre o que estava acontecendo diante de mim.

Este é, pois, o livro que eu gostaria de ter tido em minhas mãos, não só naquele distante 22 de agosto, mas antes, quando Ana Maria era apenas projeto, bem antes que seu marcador pessoal começasse a registrar o tempo vivido na Terra.

Algumas das minhas perguntas ainda teriam de esperar um bom punhado de anos. Outras, creio eu, precisarão de mais alguns séculos, pois nosso Pai Maior não parece ter grande pressa em explicar-nos aquilo que nós ainda não temos condições de entender.

O apóstolo Paulo, que sabia das coisas, escrevendo aos seus amigos de Corinto, disse o seguinte:

— E eu, irmãos, não vos pude falar como a (seres) espirituais senão como a carnais, crianças em Cristo. Dei-lhes leite a beber e não alimento sólido porque ainda não o podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais.

Como os coríntios, eu era carnal e acho que nem o leite me fora dado, porque tudo quanto eu podia ver é que, de alguma forma, havia um pouco de mim naquele tépido bolinho de gente, à espera de que a tomássemos nos braços e, depois, pelas mãos, lhe mostrássemos como era nosso mundo. E já sentia, nas profundezas da memória do futuro, aquele dia em que ela não mais precisasse das nossas mãos e partisse para viver a sua vida. Nós sempre tememos um pouquinho.

Não é que falte confiança, é que paira sempre, aí por cima, um vago temor de que o filhote ainda implume não consiga acertar com os invisíveis caminhos do céu, que tem de percorrer no vôo ainda incerto. Mas isso não chegava a ser uma tristeza, porque, afinal de contas, a vida era dela e não nossa, e como eu aprenderia posteriormente, antes de sermos filhos uns dos outros, somos todos filhos de um só Pai. E Ele tem sido muito competente, pois sempre deu boa conta de nós.

Não era tristeza; nada disso! Apenas uma saudade antecipada, que me espreitava das dobras do desconhecido, tal como os olhinhos escuros de Ana Maria. Parece que eu via, também, no futuro, umas ruguinhas de preocupação.

Ou seria apenas a exaltada imaginação de um jovem pai de 23 anos, mal saído de sua própria infância?

Seja como for, de alguma forma misteriosa e inarticulada, pois não tinha palavras para expressar tudo aquilo, eu confiava em Deus e na menina dos atentos olhinhos. Como também confiaria em duas outras pessoas que, sem eu saber, estavam à nossa espera, do outro lado do véu, que àquela altura me ocultava importantes mistérios da vida. Deus não julgara oportuno revelar-me coisas para as quais eu ainda não tinha “olhos de ver”. Meus olhos eram apenas de olhar...

Nem Deus, nem meus filhos me decepcionaram, porque muito me ensinaram desde então; mas às vezes penso que as coisas teriam sido mais fáceis se eu tivesse lido algo parecido com este livrinho que o leitor tem agora em suas mãos. Só que, se assim fosse, eu não teria tido a alegria de escrevêlo e não estaria hoje tão grato a Deus por ter-me permitido fazê-lo. E a Ana Maria, Marta e Gilberto por terem me ensinado muitas das coisas que nele foram colocadas e que, sem eles, teriam passado despercebidas ao desatento olhar do apressado viajor.