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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Reencarnação no Concílio de Constantinopla (Origenes X Império Bizantino) - Conclusão por Paulo da Silva Neto Sobrinho




Embora não tenha ficado totalmente provada a questão do caso Teodora, são unânimes, os autores citados por nós, em relatar a influência do Imperador Justiniano, quer por conta dele próprio, quer por sua esposa; mas, o fato é que exerceram essa influência no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, de tal forma que as ideias de Orígenes foram anatematizadas. E para que fique claro quais seriam elas, transcrevemos:

[…] O Concílio de Calcedônia e o quinto de Constantinopla rejeitaram, não a crença na pluralidade das vidas da alma, mas simplesmente a opinião de Orígenes de que a união do espírito com o corpo é sempre uma punição e a de que a alma viveu primeiro no estado angélico. [...]. (DENIS, 1989b, p. 104).

Entretanto, o que deve ficar claro é que não foi “anatematizada” a reencarnação, como dizem alguns adeptos da pluralidade das existências. Por isso retomamos essas palavras de Léon Denis, porquanto, temos visto, até no meio Espírita, muitos companheiros citando que Orígenes aceitava a reencarnação, para justificá-la como sendo crença da igreja primitiva, e, que, conforme vimos, isso não é bem a verdade. E aqui temos uma defesa de um bispo católico, que ajudará a se colocar as coisas nos devidos lugares:

[...] É certo que alguns textos, como os do quarto concílio de Constantinopla, que se acreditou às vezes poder invocar contra a reencarnação, não se aplicam a ela em realidade; mas os ocultistas não puderam triunfar nisto, e, se for assim, é simplesmente porque, naquela época, a reencarnação ainda não tinha sido imaginada. Tratava-se de uma opinião de Orígenes, segundo a qual a vida corporal seria um castigo para almas que, «preexistindo em tanto que potências celestes, teriam chegado a saciar-se da contemplação divina»; como se vê, nisto não se trata de outra vida corporal anterior, mas sim de uma existência no mundo inteligível no sentido platônico, o que não tem nenhuma relação com a reencarnação. Custa trabalho conceber como Papus pôde escrever que «a opinião do concílio indica que a reencarnação formava parte do ensino, e que se havia quem voltava voluntariamente a reencarnar-se, não por desgosto do Céu, mas sim por amor de seu próximo, o anátema não podia lhes tocar» (imaginou-se que esse anátema se dirigia contra «o que proclamasse ter tornado sobre a terra por desgosto do Céu»); e se apoia nisto para afirmar que «a ideia da reencarnação forma parte dos ensinos secretos da Igreja» 151. [...]

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48

151. La Réincarnation, p. 171.

(GUÉNON, 2010, p. 221).

Na medida do que nos foi possível, eliminamos opiniões em que um autor listado citava um outro, pois só nos interessava a fonte inicial.

Aos interessados no assunto recomendamos que pesquisem; porém evitem as informações dadas por dogmáticos, estejam eles de que lado for, pois, por estarem presos a uma ideia que, muitas vezes lhes foi imposta, não percebem que a verdade pode ser bem outra daquilo que acreditam. Ao final, fora os listados como Referências bibliográficas, relacionaremos diversos livros sobre o tema reencarnação.

Uma coisa é certa: “O ensino da reencarnação é amado, detestado; favorecido, temido.

Sempre era e é uma coluna dogmática das religiões orientais; foi ensinada nas escolas dos fariseus e essênios, e entre os judeus místicos da Cabala”. (CHAMPLIN e BENTES, vol. 5, 1995, p. 583). Além disso, é importante não largar o ponto de vista de que “Uma crença prova apenas a existência do 'fenômeno crença', mas de nenhuma forma a realidade do seu conteúdo” (JUNG).

Antes de finalizar, vamos transcrever o que Elizabeth Clare Phophet diz ser opinião de Orígenes, que se encaixa como uma luva nos que, refutando a reencarnação, defendem a ressurreição física dizendo “para Deus tudo é possível”:

Os ortodoxos usaram a frase “com Deus tudo é possível” para explicar a falta de lógica de uma ressurreição física. Mas Orígenes classificou esta crença como “pobreza intelectual” ou “falta de instrução”. Qualificando-a como “uma ideia excessivamente baixa e insignificante”10, disse que essas especulações contradiziam a afirmação de Paulo de que o corpo ressurrecto é espiritual.

Orígenes achava que a doutrina da ressurreição física era para os “simplórios” e para o “povo comum, que é induzido a viver uma vida melhor através da sua crença”11.

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10. Origen, On Fist Principles 2.10.3, Butterworth, p. 140.

11. Origen, Against Celsus 5.19, citado em Jaroslav Pelikan, The Emergence of

the Catholic Tradition (100-600), vol. 1 of The Christian Tradition: A History of

the Development of Doctrine (Chicaco: University of Chcago Press, 1971), p. 48.

(PROPHET, 1999, p. 152-153).

Portanto, esse não é um bom argumento.

E, para encerrar, já que falamos tanto de Orígenes, vamos deixar a ele o fechamento

deste texto:

Fica patente que a natureza humana é afligida com este obstáculo, se

pensarmos na dificuldade que sentimos em mudar de opinião uma vez que

ficamos na prevenção, ainda mesmo em favor das mais vergonhosas e mais

fúteis tradições dos antepassados e concidadãos. (ORÍGENES,2004, p. 95).

Paulo da Silva Neto Sobrinho

(Revisado e ampliado em Mar/2009)

(revisado em jun/2010)

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